Todo mês, uma surpresa literária



Conheça o clube que te envia livros surpresa todo mês.

Já pensou se todo mês você recebesse na sua casa um livro surpresa? Você talvez não conheça a obra, talvez tenha visto o nome do autor só de relance e, mesmo assim, aquele livro é para você.

Por Larissa Moreira, de EXAME.com.

É assim que acontece com os assinantes da TAG–Experiências Literárias (http://www.taglivros.com/), um negócio que aproveita a nova onda dos clubes de assinatura para resgatar o hábito antigo de ler uma obra em grupo. Fugindo de best-sellers e procurando novos estilos, os participantes desse clube encontraram no serviço uma forma de expandir seus horizontes literários.

“A TAG entrega uma experiência bem diferente de leitura para os associados. Livros que eles não descobririam se não fosse pelo clube, novos estilos de leitura, novos autores”, diz Tomás Susin, um dos fundadores do negócio. Além do livro, o kit mensal da TAG inclui uma revista com informações sobre a obra, seu autor e sobre quem a indicou, um marcador de páginas personalizado e um mimo literário.

O livro permanece surpresa até chegar à porta do cliente, apesar de serem divulgadas algumas dicas nas redes sociais. Os outros itens do kit também permanecem em sigilo. A única certeza que os assinantes têm é sobre a qualidade do livro que será enviado.

Isso porque as obras são recomendadas por gente que entende do assunto: os curadores da TAG são normalmente escritores reconhecidos nacionalmente, entre os quais estão nomes como Sérgio Rodrigues, Adriana Lisboa, Heloisa Seixas, Luis Fernando Veríssimo e Clovis de Barros Filho.

O negócio foi fundado em Porto Alegre em julho de 2014 por três jovens apaixonados por literatura: Arthur Dambros, Gustavo Lembert e Tomás Susin. Eles se conheceram na Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e lá mesmo deram os primeiros passos para o empreendimento.

Investiram 10 mil reais do próprio bolso para elaborar a identidade visual e colocar o site no ar. A partir do quinto mês, a empresa já se sustentava sozinha. Por enquanto, todo o lucro é reinvestido na própria TAG.

Após fechar 2015 com 2.700 assinantes, o clube comemora hoje a marca de 10 mil associados.

Mas isso não quer dizer que a ideia não enfrentou desafios. Os primeiros 60 kits foram enviados em sua maioria para familiares e pessoas próximas. Na época, os sócios encontraram dificuldade em fazer com que as pessoas entendessem que os R$ 69,90 mensais da assinatura não eram apenas para comprar um livro, e sim por toda a experiência que a TAG oferece.

Com o tempo, eles conseguiram consolidar a ideia do que é a TAG e o que ela busca. Hoje a equipe conta com 25 funcionários. Da biblioteca da UFRGS, eles passaram para um local de 350 m².

“Nós acreditamos na ideia e no fato de que ainda existem muitos leitores à moda antiga neste país, que cultivam o nobre hábito pela leitura, que apreciam o ato introspectivo de ler, que gostam do cheiro de livro e da alegria de iniciar uma nova leitura”, afirma Susin.

Segundo ele, os 10 mil assinantes do serviço formam um público bastante variado, de todas as idades. E é essa variedade de leitores que traz outra experiência oferecida pelo clube.

Sabe quando você termina um livro e sente aquela vontade de falar sobre ele com alguém, mas não conhece ninguém que tenha lido? No canal do YouTube da TAG, formam-se grupos de discussão onde é possível comentar sobre as obras que foram enviadas e as impressões que se teve durante a leitura.

A troca de ideias tem feito tanto sucesso que a TAG já está trabalhando numa rede social própria. “Estamos criando uma rede social para garantirmos a interação dos associados via aplicativo e melhorarmos a qualidade e a forma de discussão sobre os livros” conta o sócio Dambros. “Dizem que uma pessoa torna-se velha quando deixa de sonhar. A TAG não é velha. Pelo contrário, está em plena adolescência, repleta de planos.”

Dentre esses planos está também uma loja online para vender os kits anteriores e alguns produtos literários, além da edição de livros exclusivos para os associados. O primeiro já saiu.

Com tantas novas ideias, a TAG não descarta receber um investimento externo, desde que ele não desvirtue o espírito da empresa.

“Por enquanto estamos estruturados para o crescimento com as próprias pernas, mas já levantamos a cabeça e estamos abertos a possíveis investidores, se julgarmos que isso melhorará a TAG e nos ajudará na construção mais rápida do nosso futuro. Porém, desde que não comprometa nossa cultura e não torne um mero business aquilo que foi criado com paixão e energia”, pondera Dambros.

Por Larissa Moreira, de EXAME.com.

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